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Paulo Ritz

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Coronavírus: na contramão de outros países, Bolsonaro aproveita a crise gerada pela Pandemia e joga a conta nas costas dos trabalhadores

No meio dessa pandemia do Novo Coronavírus, o Brasil está na contramão de outros países no que diz respeito à proteção de seus trabalhadores.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontou que até 24,7 milhões de trabalhadores podem perder o emprego por causa da pandemia e diante dessas previsões, os governos do mundo todo estão buscando medidas para proteger não só os trabalhadores que tem um emprego formal, mas também os informais e quem está desempregado.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o presidente Donald Trump anunciou um plano que envolve enviar cheques de mil dólares para aliviar os efeitos prejudiciais do coronavírus na economia americana.

A Alemanha também anunciou medidas que incluem a concessão de crédito ilimitado às empresas, para evitar a falência.

A Espanha anunciou a mobilização de quase 20% do PIB para combater os efeitos econômicos da pandemia, com contribuições públicas e privadas. O governo espanhol estabeleceu uma moratória sobre pagamentos de hipotecas, ajuda financeira a trabalhadores independentes e empresas com perdas graves, isenção de pagamentos à Previdência Social, suspensão do corte de água e serviço de internet para aqueles que não podem pagar e direcionar ajuda a famílias com menos recursos financeiros.

No Reino Unido, o governo de Boris Johnson anunciou que vai cobrir até 80% do salário dos trabalhadores, para evitar que sejam demitidos e que fiquem sem renda. E na Venezuela, vejam só, Nicholas Maduro tomou uma série de medidas para proteger o trabalhador e a economia do país.

Lá nenhum trabalhador poderá ser demitido até dia 31 de dezembro, o Estado venezuelano vai pagar os salários dos trabalhadores das empresas privadas por seis meses para eles ficarem em casa, está proibido cobrar aluguel pelos próximos seis meses, além de cobrar prestações e juros de todos os financiamentos em curso pelos próximos seis meses. Também foram suspensas as cobranças das taxas de serviços de energia, água e gás.

E sete milhões de famílias vão seguir recebendo a cesta básica de alimentos, a cada 15 dias, até que a pandemia e o estado de emergência sejam encerrados.  

Enquanto isso, no Brasil... Nesse momento, mais do que nunca, o brasileiro vai entender que esse governo definitivamente não pensa na classe trabalhadora. Contrariando o que a maioria dos países está fazendo, Jair Bolsonaro não tem o mínimo de preocupação com o trabalhador brasileiro.

O governo brasileiro defende uma MP que permite que as empresas suspendam por até quatro meses os contratos de trabalho.

Suspender salários nesse momento de calamidade pública vai na contramão do mundo. A proposta da MP também flexibiliza outras regras de trabalho para o período de calamidade pública, permite antecipação das férias, feriados, etc, além de liberar as empresas do pagamento de FGTS dos trabalhadores por alguns meses. Estuda-se ainda a proposta de redução da jornada de trabalho com diminuição proporcional de salário. Como sempre, o governo vem adotando medidas que desoneram as empresas em detrimento dos direitos dos trabalhadores. Isso tudo sem o mínimo de participação das entidades sindicais e demais órgãos competentes.

A crise é mundial, mas acima da economia, estão seres humanos, trabalhadores que dependem de sua renda para sustentar sua família. Confirmando todos os ataques desse governo à classe trabalhadora, ao invés de diminuir os impostos das empresas, propor créditos diferenciados para o enfrentamento dessa crise e, paralelamente, aliviar tributos do cidadão comum e criar inventivos diversos para a manutenção da renda das famílias brasileiras, o governo vem jogando a conta exclusivamente nas costas do trabalhador.

No momento que o trabalhador mais precisa de apoio e suporte, o governo brasileiro lhe vira as costas, como se não fossem os trabalhadores a mola que move o país.

O Sintercamp e o movimento sindical estão estarrecidos e não medirão esforços na luta contra qualquer medida que desrespeite a dignidade do trabalhador brasileiro.

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